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2022/08/24

Classificação Portuguesa das Atividades Económicas - CAE, Rev. 3

 O CAE é um código que serve para: 

  • registar as empresas e entidades equiparadas no ato da sua constituição;
  • promover o licenciamento das atividades económicas;
  • apoiar as políticas do Governo de incentivos às atividades económicas.

Em termos de análise estatística, possibilita:

  • classificar e agrupar as unidades estatísticas produtoras de bens e serviços (com ou sem fins lucrativos), segundo a atividade económica;
  • organizar de forma coordenada e coerente, a informação estatística económico-social, por ramo de atividade económica, segundo vários domínios (produção, emprego, energia, investimentos, entre outros;
  • comparar estatísticas a nível nacional, comunitário e mundial

Ler mais: INE (Instituto Nacional de Estatística) como entidade que publica os códigos CAE utilizados nas atividades económicas.







2022/08/13

Modelo de negócios (business model)

 Noção

É um documento que consiste num processo de criação, entrega e captura de valor aos clientes através de:
✔ uma representação dos elementos e etapas que tornam a empresa única e da demonstração do trabalho ("como" é feito);
✔ uma descrição simples e detalhada das partes que mais estão relacionadas com a respetiva visualização ao longo do processo;
✔ uma ferramenta visual, simples e essencial para qualquer empresa com tendências visuais e práticas para qualquer pessoa compreender o negócio de uma perspetiva macro, mesmo em novos projetos segundo o seu projeto de negócios.

Características

✔ Das várias possibilidades de elaboração de modelos de negócios, a mais conhecida é por meio de um método denominado Canvas - uma ferramenta nova sobre a modelagem de negócios desenvolvida pelo consultor Alexander Osterwalder,  em 2008 (livro Business Model Generation: Inovação em Modelos de Negócios, de Alex Osterwalder e Yves Pigneu, 2010).
 O empreendedor reflete e identifica uma conexão entre as partes como um sistema.
 Aconselha-se inclusive, pelos criadores da metodologia, que seja preenchido através de notas adesivas para facilitar a mobilidade e as transformações inerentes a qualquer modelo de negócio ao longo do estudo de mercado e enquanto é colocado em prática. 
✔ Deve vir antes do Plano de Negócios e pode ser usado inclusive de base e inspiração para os primeiros passos desse Plano.
 Toda a empresa deve ter um Plano de Negócios quanto um Modelo de Negócios.

Importância

Serve para compreender a natureza do negócio e não o planeamento do negócio, ajudar a análise das oportunidades de mercado por parte do empreendedor e auxiliar o poder de inovação (novas formas de entregar os produtos/serviços com maior valor para os clientes).

Estrutura (9 blocos ou categorias de exposição)

  1. Parcerias chave
  2. Atividades chave
  3. Proposta de valor
  4. Recursos chave
  5. Relações com clientes
  6. Canais de venda
  7. Segmentos de mercado
  8. Estrutura de custos
  9. Fontes de rendimento

Tipos

Os modelos de negócio evoluem à medida que o mercado se altera e criam desafios e oportunidades. A escolha entre os diversos tipos de modelo de negócio mais adequado é fundamental para o sucesso de uma startup.

- B2C (Business to Consumer ou empresa para consumidor) - o produto ou serviço destina-se ao consumidor final (venda direta), como supermercados, salões de beleza ou lojas de vestuário. A ação de venda tem maior apelo emocional (comércio retalhista). Exemplos: Auchan, …

- D2C (Direct to Consumer, Direto ao Consumidor) - é muito usado pela indústria, onde a empresa vende diretamente ao consumidor final, como detentora do meio de produção e logística, e consegue entregar custos mais baixos para os seus clientes. Exemplos: Outlets, montadoras de carros, lojas de fábrica.

- B2B (Business to Business, Empresa para Empresa) - o foco é a venda de soluções (matérias-primas, softwares, terceirização/Recursos Humanos de empresas para empresas, tais como atacadistas/grossistas, mineradoras e fornecedores do ramo industrial, com maior relevância do aspeto racional no relacionamento. Exemplos: fabricantes de produtos, grossistas, empresas de sistemas, prestadoras de serviços para empresas.

- B2B2C (Business to Business to Consumer) define-se quando empresas oferecem o produto ou serviço diretamente ao consumidor, porém, por intermédio de um marketplace, a exemplo do Mercado Livre ou Submarino.

- P2P (Peer to Peet, Pessoa para Pessoa) – empresas intermediárias de alguma comunicação entre pessoas cuja monetização é feita através de anúncios ou taxas de intermediação. Exemplos: OLX, Wish.

- SaaS (software as a service) - trata-se do fornecimento de licença para uso de um software online, sem necessidade de download e mediante o pagamento de uma mensalidade. Exemplos são Dropbox e Pipedrive.

- Assinatura – comum em serviços online, por jornais e revistas, através de uma mensalidade ou anuidade pela entrega constante de um produto ou serviço. Exemplos: Netflix, Amazon Prime.

- Licenciamento -

Marketplace – plataforma usada por grandes retalhistas

- Plataforma multilateral – Exemplos: Uber, Airbnb

- Isca e anzol - um produto não funciona sem o outro. Um produto é vendido com uma baixa margem de lucro, enquanto um outro, do qual o primeiro depende, é vendido com uma alta margem de lucro. Um bom exemplo é a máquina de café Nespresso, que é relativamente barata, enquanto suas cápsulas possuem um valor mais elevado.

Franchising / Franquia - um terceiro paga pelo direito de uso da marca e da estrutura de gestão de uma empresa por tempo indeterminado ou não. Exemplos bem conhecidos são Cacau Show, Subway, Boticário, McDonald’s.

- Economia colaborativa - as partes adquirem produtos e serviços de forma compartilhada, como ocorre em serviços de transporte ou hospedagem e espaços de coworking.

Adware - a monetização acontece por meio da publicidade em aplicativos e sites de acesso gratuito, tais como Google e Facebook; muitas vezes, é a estratégia de entrada para outros tipos de modelo de negócio mais rentáveis como SaaS ou assinatura. Exemplos: Facebook

Freemium (free + premium) - um produto é oferecido de forma gratuita ao público consumidor, tendo como pano de fundo a cobrança de um valor para obtenção de recursos adicionais. Exemplos: Spotify e Kaspersky.

Ler mais:

Plano de marketing

Noção

É um documento que complementa o Plano de Negócios. Reúne informações do ambiente onde a empresa está inserida, identificando as tendências e as barreiras que possam impedir o crescimento, além de referir as ações necessárias para que os objetivos de marketing sejam alcançados → marketing-mix (4 p's ou 7 p's para serviços -"Extended Marketing Mix" de Booms and Bitner)
Mostra onde a empresa está, para onde vai e como vai chegar lá.

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Variáveis essenciais para formular:

- as estratégias de produção/fabricação - modelo tradicional direcionado para produtos tangíveis (4 p's)
  • Produto
  • Preço
  • Ponto / Distribuição
  • Promoção / Comunicação & Educação
modelo direcionado para setores de serviços e ambientes saturados de informação (7 p's)
  • Processo
  • Pessoas (people)
  • Evidência física (physical evidence)
  • Produtividade e Qualidade
- Alternativamente, direcionado para o cliente (4 c's)
  • Cliente
  • Custo
  • Conveniência
  • Comunicação
Ler mais: Como criar/abrir/montar
🔎 uma loja
 - https://www.economias.pt/como-abrir-uma-loja-passo-e-passo/
🔎 um restaurante - http://www.anje.pt/system/files/items/11/original/guia_empreendedorismo_restaurante.pdf
http://www.nos.pt/empresas/repositorio-informacao/criar-uma-empresa/guias-praticos/guias-setoriais/Pages/como-abrir-um-restaurante.aspx
🔎 um café / cafetaria / pastelaria / casa de chá
http://www.nos.pt/empresas/repositorio-informacao/criar-uma-empresa/guias-praticos/Pages/como-abrir-cafe-pastelaria.aspx
https://pt.wikihow.com/Abrir-Um-Caf%C3%A9
🔎 um cabeleireiro / salão de beleza
http://www.nos.pt/empresas/repositorio-informacao/criar-uma-empresa/guias-praticos/guias-setoriais/Pages/como-abrir-cabeleireiro.aspx
http://www.universidadedabeleza.com/como-montar-um-salao-de-beleza/
🔎 um cabeleireiro / salão de beleza
http://www.universidadedabeleza.com/como-montar-um-salao-de-beleza/
http://www.novonegocio.com.br/ideias-de-negocios/montar-salao-de-beleza/
🔎 uma loja de roupa
https://www.youtube.com/watch?v=PASzk505YNo
https://aminhaprimeiravez.wordpress.com/2016/09/28/como-abrir-uma-loja-de-roupa-em-portugal/

Plano de negócios (business plan)

Noção

É um plano base, essencial para a estruturação e defesa de uma nova ideia de negócios que consiste em um documento com as informações do negócio para nortear as principais ações estratégicas ou delinear as metas e os objetivos de crescimento da empresa e concretizar a ideia que se quer implementar, mostrando o processo de criação de valor do negócio. 

Caraterísticas

 Inclui o modelo de negócios (base ou ideia original da empresa) e descreve, em detalhe, um negócio e a forma como é conduzido.

 Estão inseridos os planos estratégico, plano de recursos humanos, plano de produção, plano financeiro, plano legal e o plano de marketing.

 É o método mais tradicional usado há dezenas de anos para explicar as novas empresas.

 É baseado em uma ideia de negócio, geralmente relacionada com as habilidades técnicas do empresário, ou seja, todo o plano é desenvolvido para comprovar a comercialização e a viabilidade financeira da ideia (projeto/tema/problema).

  É uma ferramenta essencial que deve ser atualizada regularmente na abertura, expansão e manutenção da empresa através de análises de mercado, económicas e de processos.

  Deve conter informação o mais completa possível e ser escrito em linguagem simples que seja percetível por terceiros.


Tipos

Existem diversos tipos de planos de negócio, sendo os principais:

Plano inicial - “Start-up Plan”, que irá definir as linhas gerais de uma nova ideia de negócio.

Plano de crescimento ou expansão - “Later Stage Plan” foca-se numa área específica de negócio ou num negócio secundário (ex.: lançamento de um novo produto).

Plano de reestruturação - “Turnaround-Plan” foca-se na identificação dos problemas e na proposta de solução através de alterações à estratégia, visando a viabilização da empresa.

O mais comum, é o plano inicial. Esse plano apresenta a estruturação e defesa de uma nova ideia de negócios. 


Requisitos

⧫ Simples - é de fácil entendimento e execução e transmite os seus conteúdos de forma fácil e prática.

 Objetivo - os seus objetivos são concretos e mensuráveis e inclui ações  específicas e atividades bem delineadas, calendarizadas, com orçamentos detalhados.

 Realista - parte de análises fundamentadas e tem pressupostos são credíveis.

 Completo - inclui todos os elementos necessários e úteis.

Um plano deverá ser medido pela sua fácil leitura e espírito de síntese para dar ao seu leitor uma boa ideia geral dos seus principais conteúdos.

A formatação, sublinhados, espaços em branco e ilustrações fazem uma grande diferença. 

Os detalhes financeiros são normalmente apresentados em anexos. Um plano será mais ou menos extenso consoante a sua natureza e propósito, isto não significa que tenha de ser longo, mas deve ser longo o suficiente para incluir a informação necessária, e curto o suficiente para manter o interesse (em muitos casos, umas 25 a 35 páginas são suficientes).

Há um conjunto de mensagens importantes que têm de ser bem transmitidas:

➛Quem é o empreendedor ou equipa promotora e qual a sua competência para este negócio?

Em que consiste o produto ou serviço?

O mercado alvo é realista? Atrativo? Atingível?

O negócio é viável?

As previsões financeiras têm sentido? Estão elaboradas com base em dados realistas?


Objetivos

• Organizar as ideias ao iniciar um novo empreendimento.
• Orientar a expansão de empresas já em atividade.
• Apoiar a administração do negócio, seja em seus números, seja em estratégias.
• Facilitar a comunicação entre sócios, funcionários, clientes, investidores, fornecedores e parceiros.
• Captar recursos, sejam financeiros, humanos ou parcerias.


Importância - desempenho de funções

Serve para orientar o trabalho do empreendedor, obrigando-o a refletir sobre os aspetos mais essenciais da construção do negócio, e apresentar o projeto a possíveis investidores (e outras partes interessadas) com indicadores importantes de negócio, para além de evidenciar a estrutura (visão abrangente e detalhada da situação do negócio) que foi construída para que o negócio tenha sucesso.

• Durante a sua elaboração, ajuda o empreendedor a compreender as várias vertentes do seu negócio.

 Projeta o caminho a seguir, pois consubstancia a estratégia.

 Serve para validar a ideia de negócio pois permite aferir se esta é viável.

 Permite identi­ficar riscos diversos.

 Permite fundamentar pedidos de fi­nanciamento junto de terceiros (bancos, investidores, capitais de risco, entre outros).

 É um meio de comunicação internos pois tem informações que vão orientar os gestores e colaboradores.


Estrutura - descrição de todas áreas do negócio

Existem diferentes estruturas do plano de negócios mas pode-se definir uma estrutura base.
Capa e índice 
Apesar de não parecer, é importante porque é a primeira coisa que é visualizada, devendo ser feita de maneira organizada e apelativa e com as informações necessárias e pertinentes. Deve incluir o nome da empresa, endereço, endereço eletrónico, n.º de telefone, data e informação para contacto dos empreendedores. Por sua vez, o índice deve indicar os principais pontos que serão abordados no plano de negócios.
Introdução 
Introdução - descrição breve da ideia do projeto.

1. APRESENTAÇÃO do projeto/sumário executivo
O sumário executivo é essencial no plano de negócios, visto que é a primeira parte a ser lida pelos potenciais investidores. O sumário executivo é uma descrição breve de todo o plano de negócio e proporciona ao leitor, de forma breve, tudo o que precisa saber sobre as características diferenciadoras do negócio. Deve conter a mensagem mais poderosa e persuasiva de todo o documento.
O sumário executivo deve ser curto e dar uma “radiografia” do negócio, devendo responder a algumas questões essenciais:
Identificação do negócio (nome e área de atividade)
Missão
Âmbito do negócio e mercado potencial a que se dirige (para os produtos)
Proposta de valor (porque o projeto constitui uma proposta inovadora e vencedora?)
Recursos (humanos, físicos e financeiros) necessários para iniciar a operação
Prazo previsto para começar a dar lucro
Referências dos autores do projeto (experiência relevante para o sucesso do negócio)
Quais são os pontos fortes e fracos do projeto?
Quais as competências relevantes existentes para o sucesso do projeto?
Este primeiro capítulo pode ser escrito no final quando já estiver consciente de todas as informações relevantes.
(identificação dos empreendedores/negócio/empresa)
dos empreendedores
Um dos aspetos essenciais para os investidores é saber quem são os empreendedores, nomeadamente quais as suas capacidades e competências e que legitimidade e conhecimentos trazem para o negócio.
Portanto, para além das informações básicas - dados pessoais (nome, naturalidade, residência, entre outros), formação académica e outra formação complementar, atividade profissional atual e experiência profissional – é fundamental apresentar elementos que permitam demonstrar as competências individuais. Informação adicional, tal como um currículo mais detalhado, pode ser remetido para anexo.
Também a equipa de gestão é importante na medida em que transmite credibilidade. Assim, devem ser incluídos todos os elementos que ajudem a consolidar a imagem da equipa, incluindo um resumo das qualificações dos membros da equipa, no qual expõe a experiência profissional prévia, resultados do trabalho, formação académica, entre outros.
do negócio
A forma mais eficaz de apresentar o negócio é descrever a oportunidade que o empreendedor identificou, isto é, o problema a resolver ou a necessidade a satisfazer. Seguidamente, deve-se explicar como é que o negócio vai ser direcionado para satisfazer essa necessidade. A descrição da oportunidade deve ser seguida de uma breve história da empresa e dos objetivos da empresa. Por fim, apresentar uma explicação da vantagem competitiva da empresa e uma breve descrição do modelo de negócios.
da empresa
A apresentação da nova empresa é essencial, mas deve ser breve incluindo alguns aspetos relevantes como sejam: o nome ou denominação social, o logótipo, a composição da Direção ou Administração, os contactos, o código de atividade económica (CAE), a forma jurídica, as participações sociais e a repartição pelos sócios e por fim, o organograma.
DESENVOLVIMENTO do projeto
Antes de implementar o projeto, é essencial efetuar o planeamento e interessa conhecer a situação (envolvente/clima/ambiente) para a análise da empresa e definir os elementos estratégicos.

2. PLANEAMENTO do projeto para a implementação/desenvolvimento
Conhecer a situação (envolvente/clima/ambiente) e a empresa através de estudos e pesquisas:
2.1. Diagnósticoanálise do mercado, concorrência e da empresa ⇾ segmentação, posicionamento e especialização... diferenciação.
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Estudo de mercado
Definir e descrever um mercado hipotético para um produto que ainda não existe vai depender inteiramente de previsões. Estas previsões podem basear-se no consumo do mesmo produto noutra cidade ou país ou, em alternativa, no consumo registado por um segmento de mercado com características muito específicas.
O objetivo é determinar a dimensão, o estádio de desenvolvimento e as características de quem pode vir a comprar o novo produto ou serviço. Ao mesmo tempo, permite identificar e definir o perfil dos competidores.
Pode recorrer, nesta fase do plano de negócios, ao suporte de profissionais ou empresas especializadas em estudos e análises de mercado.
Posicionamento do projeto
É importante que, no plano de negócios, venha descrita a situação atual do projeto, os resultados comerciais mais recentes e os objetivos já atingidos. Esta informação, que segue neste capítulo, visa transmitir confiança aos investidores, mostrando-lhes que o projeto já está em desenvolvimento e que já há tarefas cumpridas com sucesso e dentro das expectativas.
Nos casos em que não haja resultados comerciais para mostrar (porque o produto ou serviço ainda não foi comercializado), os empreendedores podem fazer-se valer da própria experiência e dos resultados que já conquistaram ao longo da vida. As experiências com negócios anteriores podem ser, também, um indicador de previsão da competência dos gestores para levarem o projeto a bom porto.
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2.2.   Análise da empresa SWOT
O plano de negócios deve explicar a estratégia a seguir (como a empresa vai alcançar os objetivos), especificando os elementos como a visão, a missão, os valores, os objetivos da empresa, a diferenciação do negócio, a análise SWOT - Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) e a estratégia adotada face ao mercado alvo e aos concorrentes. A estratégia da empresa deve ser orientada por objetivos e estes são enquadrados pela visão e pela missão que os empreendedores definem para a nova empresa.
É importante que o empreendedor estabeleça os objetivos que pretende atingir a longo, médio e curto prazo os quais podem ser definidos em termos de várias dimensões, por exemplo, de quota de mercado pretendida, de volume de vendas, de lucros, de taxa de crescimento e de alargamento da gama de produtos. Os objetivos devem ser específicos, mensuráveis, atingíveis, relevantes e ter um horizonte temporal definido.
A análise SWOT é um instrumento para apoiar a análise do ambiente e da empresa. Ao realizar uma análise SWOT o empreendedor perscruta o ambiente interno da empresa (as suas Forças e Fraquezas) e o ambiente externo (as Oportunidades e Ameaças advindas do ambiente externo). Embora o ambiente externo esteja fora do controlo direto da empresa e empreendedor, a nova empresa deve conhecê-lo e monitorizá-lo com frequência de forma a aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças.
Mas, que estratégia prosseguir? Quanto a isto é possível optar por seguir uma das três estratégias genéricas:
Liderança pelos custos - a empresa procura reduzir ao máximo os seus custos de produção de modo a poder praticar preços mais baixos que os concorrentes;
Diferenciação - a empresa procura oferecer um produto com características distintas dos concorrentes. A distinção pode ser nos serviços incorporados, na qualidade, na imagem, na fiabilidade, no design, … ou seja, em qualquer atributo que seja valorizado pelo mercado alvo;
Foco (ou enfoque) - a empresa procura orientar a sua oferta para um pequeno segmento de mercado (ou nicho) e ser líder nesse segmento.
A estratégia tem de estar em sintonia com os objetivos, o marketing e as capacidades de recursos da empresa.

3.  IMPLEMENTAÇÃO do projeto - plano operacional (planos de ação ou trabalho)
Define como a empresa irá desenvolver ou comercializar os seus produtos e serviços. Descreve o processo para produzir, vender ou executar serviços. Devem ser relacionados os equipamentos e materiais utilizados, a quantidade de pessoas e o tempo necessário para cada etapa. 
Na sua elaboração no contexto do Plano de Negócios há que escolher uma localização adequada da empresa, o desenho da sua estrutura física, decidir sobre a sua capacidade de produção, escolher os processos operacionais na produção e a necessidade de pessoal em termos de quantidade e qualidade.
Aqui os empreendedores podem beneficiar da colaboração de um profissional de Marketing que os ajude a desenvolver um plano de vendas, distribuição e publicidade - plano de marketing (marketing-mix ou 4 P's).
Plano de recursos humanos
As empresas necessitam de recursos humanos e de uma estrutura organizacional para funcionarem eficazmente. Isto significa que é necessário planear as necessidades de recursos humanos, as competências que estes devem possuir e as suas tarefas. Portanto, é importante incluir uma apresentação da equipa de trabalho, da planificação das necessidades de recursos humanos, das funções, das capacidades necessárias e do perfil desejado, da estrutura organizacional (organograma), e mesmo de um programa de formação dos colaboradores.
Plano de produção e operações
É na parte correspondente ao plano de operações que o empreendedor descreve como se realiza a fabricação dos produtos ou a prestação de serviços. Nalguns casos pode ter vantagem em analisar o lay-out de produção e explicar cada uma das fases do processo de produção/prestação de serviços. Em particular, no caso dos serviços, se o modelo de negócio é novo pode ser interessante explicar em que consiste.
Assim, este ponto trata das operações diárias da empresa. Uma perspetiva sobre os
planos de produção (ou distribuição de serviços) deve ser seguida por uma descrição da rede de fornecedores, parceiros de negócio, prestadores de serviços, etc., que serão necessários para construir o produto ou o serviço que a empresa venderá. Devem ser indicados quaisquer riscos ou regulamentações a que as operações devem atender, como sejam as regulamentações relativas a resíduos e desperdícios, normas de trabalho e segurança dos trabalhadores, entre outros.
Plano de marketing
É no plano de marketing que o empreendedor descreve qual vai ser a estratégia global de marketing nas suas dimensões de produto, preço, distribuição e comunicação (também designadas por marketing mix). Isto significa que o empreendedor tem de clarificar os objetivos de vendas e como pretende chegar ao mercado, analisando:
- a política de produto ou serviço definindo o produto/serviço que comercializa, incluindo aspetos como a embalagem, design, marca, quantidade;
- a política de preço estabelecendo o preço, as condições de pagamento, comparando o seu preço com o dos concorrentes, e decidindo se vai adotar uma estratégia de penetração (preço baixo para encorajar a experimentação) ou de desnatação (preço elevado que vai baixando à medida que os progressos permitem reduzir custos e se pretende atrair novas clientelas);
O primeiro passo da estratégia comercial num plano de negócios é a definição de um custo de produção para cada unidade do produto. Esse valor, somado às margens praticadas habitualmente pelo mercado e à perceção de valor, vai determinar um preço de venda ao público sobre o qual assenta a estratégia de vendas.
- a política de distribuição definindo os circuitos e canais de distribuição para chegar ao cliente (ex.: retalhistas, venda direta, venda por catálogo, entre outros);
- a política de comunicação definindo as ferramentas de comunicação que vai usar para chegar aos clientes.
A análise do mercado é essencial e consiste em saber quem são os clientes e o mercado alvo. Portanto, há que identificar o mercado alvo e qual o critério de segmentação que lhe permite definir quem são, onde estão, quando compram, porque compram, para que compram e qual o uso que dão ao que compram. A análise do mercado permite pensar melhor sobre a sua oferta.
O plano de marketing procura orientar os processos decisórios do relacionamento da empresa com os agentes do setor da sua atuação. Descrevem-se os principais produtos da empresa, estudam-se os clientes, os concorrentes e os fornecedores, definem-se as estratégias promocionais e a estrutura de comercialização.
Plano económico-financeiro
No plano económico-financeiro o empreendedor demonstra as capacidades da sua nova empresa quanto à viabilidade financeira e probabilidade de sucesso. Neste ponto o empreendedor deve incluir os aspetos relativos ao plano de investimento e financiamento.
O plano de financiamento discrimina quais os recursos financeiros necessários à empresa e quais as fontes de financiamento. Assim, o plano de financiamento, deve:
- explicar qual o financiamento que será necessário nos próximos 3 a 5 anos e uma explicação de como os fundos serão usados (ou um mapa de origens e aplicações de fundos);
- incluir as projeções financeiras para demonstrar a viabilidade financeira do empreendimento, tais como demonstrações de resultados, balanços e mapas de fluxos de caixa;
- incluir um orçamento de tesouraria (previsão de recebimentos e pagamentos a realizar num determinado período);
- efetuar uma análise do ponto crítico das vendas - volume de vendas em valor e em quantidade para o qual a empresa obtém “lucro zero”;
- calcular e analisar os indicadores de gestão (rácios económico-financeiros) que servem para analisar a viabilidade do negócio (exemplos: rácios de rentabilidade, valor atualizado líquido, taxa interna de rentabilidade, prazo de recuperação do investimento).
O plano de investimento discrimina as rubricas onde serão feitos os investimentos (exemplo: equipamentos fabris e de escritório, edifícios, patentes, marcas, software, decoração, viaturas, entre outros) discriminando os montantes de investimento envolvidos.
Investimento
É a secção do plano de negócios dirigida aos financiadores e deve deixar-se claro, desde logo, quais os modelos de participação possíveis. Deve também incluir (e justificar) o valor de investimento necessário, o período e a modalidade de reembolso.
Tenha em atenção que há financiadores que exigem a participação financeira dos próprios empreendedores para entrarem também no projeto. Esteja preparado para lhe ser exigido investimento pessoal - como voto de compromisso.
Modelo e projeções financeiras
Nesta fase do plano de negócios, é expectável que desenvolva três tipos de projeção: de vendas, de cash-flow e de break-even.
- Projeções de vendas - suportadas pelas informações fornecidas nos capítulos anteriores sobre o mercado e a estratégia comercial, as projeções de vendas devem apontar um volume esperado de encomendas e de crescimento do mercado.
- Projeções de cash-flow - estimam a posição líquida mensal da tesouraria, com base nos recebimentos, pagamentos e custos previstos nos pontos anteriores. O objetivo é garantir aos investidores que a empresa vai ser capaz de financiar a sua própria operação sem estar demasiado vulnerável em relação às condições de pagamento dos clientes.
- Projeções de break-even - quando o valor das receitas supera o valor dos custos, a empresa começa a dar lucro. Os investidores vão querer saber onde fica esse ponto e em que fase do desenvolvimento do projeto podem contar com ele, para aferir se o negócio é atrativo.
Para um plano de negócios mais completo, procure fazer as contas a vários cenários de break-even, baseados em diferentes projeções de custos variáveis. O objetivo é dar a conhecer aos investidores os cenários-limite a partir dos quais o negócio deixa de ser viável (análise de sensibilidade).

Análise do produto/serviço e do projeto

Este capítulo do plano de negócios já entra na descrição do desenvolvimento do projeto, ou seja, do que já existe, do que já foi feito e do que ainda falta fazer.
Sobre o produto, devem ser descritas as licenças, as patentes já registadas e o processo produtivo com detalhe. Não se esqueça de descrever todas as ações necessárias para cada atividade, contabilizando de forma realista o tempo a alocar a cada uma.
Dentro deste capítulo cabem as projeções otimistas, mas também as eventuais dificuldades do negócio. No cálculo do tempo de produção, por exemplo, ponderar atrasos externos à empresa (margem de risco de implementação) é uma prova de maturidade dos gestores. A previsão do risco permite antecipar ações complementares e, com elas, reduzir o impacto na eficiência da empresa.
O objetivo é que o leitor do documento compreenda o que é o produto, para que serve, como funciona e porque é que o público vai querer comprá-lo, mas também como pode produzi-lo de forma lucrativa.
Ainda nesta parte do plano de negócios pode incluir os mecanismos de controlo básicos do negócio, como a quantidade de stocks, de matéria-prima e de produto acabado a manter. Estes elementos vão influenciar as projeções financeiras mais à frente, pelo que, se não forem realistas, podem enviesar os dados.

4. Avaliação e controlo do negócio
Este é o capítulo do plano de negócios onde os números são expostos, com o objetivo de provar aos investidores que a empresa está sob controlo e monitorização permanentes.
Devem ser apresentados relatórios recentes de atividade, quer ao nível dos resultados, quer ao nível das ações de melhoria executadas em função desses resultados. A informação deve ser clara, transparente e esclarecedora.
É importante, nesta fase, que forneça informação sobre todas as áreas do negócio, desde a produção e produtividade, às vendas, aos custos e aos rendimentos.

Conclusão
Ao contrário do que muitos pensam, não é para repetir o que já foi dito. É necessário que seja um real fecho que acrescenta algo ao texto anterior, evidenciando aquilo que merece ser destacado, e além disso, que contenha uma nota positiva, demonstrando confiança e o bom potencial do negócio.
Anexos
Em anexo o empreendedor deve incluir toda a informação relevante que não seja incluída noutras partes do corpo do plano. Por exemplo, pode incluir em anexo os elementos curriculares dos empreendedores promotores, estudos de mercado, elementos do marketing e imagem da empresa, diagramas dos protótipos dos produtos, layouts de espaços comerciais, projeções financeiras mais detalhadas, declarações de interesse de potenciais clientes, organograma, registo de alguma propriedade intelectual, estudos de localização, entre outos.

Apoio na elaboração:
- Documentos e instrumentos disponibilizados online pelo IAPMEI (https://www.iapmei.pt/):
A ideia e o modelo de negócio
O plano de negócios
Manual e guia prático do empreendedor
- Informações e dados em fontes (as institucionalizadas são as mais credíveis) - jornais, revistas de gestão e internet:
Banco de Portugal, Eurostat, INE (Instituto Nacional de Estatística), Pordata (portal de informação estatística da Fundação Manuel dos Santos)

Sugestões/dicas

- O empreendedor deve:

Pesquisar informação sobre o negócio.

Ter uma definição clara sobre o negócio.

Fazer um levantamento das condicionantes, mostrando que conhece o risco.

Identificar qual a diferença positiva do seu negócio face a outros já existentes e similares.

Definir bem o seu produto, serviço, embalagem, marca, distribuição e comunicação.

Fazer um levantamento dos investimentos e das atividades a realizar.

Arranjar a colaboração de alguém da área financeira, para efetuar as projeções financeiras associadas ao negócio.

Analisar a viabilidade do negócio.

- Ter em atenção que:

O plano deve ser de fácil leitura.

O plano deve ter um aspeto visual profissional.

A valia do plano depende da veracidade das informações e projeções.

O plano não garante sucesso, mas minimiza a possibilidade de errar.

Ler mais: